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The Smell of Apples: olhar infantil expõe privilégio branco

O filme The Smell of Apples acompanha um rapaz de 11 anos que começa a perceber as contradições da família e do regime em que vive; dirigido por John Trengove e baseado no romance de Mark Behr, a obra foi exibida na secção Platform do Festival de Cinema de Toronto e tem 104 minutos de duração, em diálogo em Afrikaans e inglês.

The Smell of Apples: olhar infantil expõe privilégio branco
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The Smell of Apples — a nova longa-metragem de John Trengove, baseada no romance de Mark Behr, oferece um olhar frio e calculado sobre o privilégio branco na África do Sul dos anos 1970, contado pela perspetiva limitada e progressivamente desiludida de um menino de 11 anos. A estética solar contrasta com conteúdos cada vez mais inquietantes, tornando a experiência tão bela quanto desconfortável.

Uma casa impecável que revela tensões ocultas

A prodigiosa direcção de arte recria com precisão a estética de meados da década de 1970 — uniformes, padrões de cozinha e mobiliário — para construir um cenário de privilégio imaculado que funciona como cápsula temporal. A cinematografia quente e sobreexposta sublinha uma falsa calma enquanto as desigualdades e abusos vão surgindo por entre detalhes domésticos.

No centro está Marnus Erasmus, filho único de Johan, um general do Exército interpretado por Hilton Pelser, cuja presença paternal alterna entre a ironia e a violência latente. Dawian van der Westhuizen dá corpo ao rapaz tímido que começa a desconfiar do mundo dos adultos ao seu redor.

«Um pai olha para os filhos e vê as suas próprias falhas.» — Mr. Smith

Adaptação minimalista que privilegia a sugestão

A adaptação escrita por Trengove e Christopher Ciancimino corta parte da estrutura do romance, nomeadamente os flash-forwards que antecipavam o serviço militar do protagonista, optando por uma abordagem mais contida e insinuante. Essa economia narrativa cria uma sensação de declínio iminente, sem resolver todos os enigmas do texto original.

Ao reduzir alguns elementos explícitos, o filme acentua a dinâmica de negação e compartmentalização que sustentava o sistema do Apartheid, mostrando como a família se esforça para manter uma normalidade frágil nos cinco dias que antecedem as férias de Verão.

O que acha? O que acha desta adaptação de Mark Behr para o grande ecrã? Para ler mais críticas e novidades sobre cinema, aceda à nossa editoria.

Perguntas Frequentes

O que conta The Smell of Apples e de que ponto de vista é narrado?

The Smell of Apples narra a história de Marnus Erasmus, um rapaz de 11 anos, e expõe o colapso moral da família Afrikaner onde vive. A narrativa privilegia a perspectiva infantil para revelar, de forma gradual, a violência e a negação que sustentam o privilégio branco na África do Sul da década de 1970.

Quem dirigiu e em que se baseia o filme The Smell of Apples?

The Smell of Apples foi dirigido por John Trengove e adapta o romance homónimo de Mark Behr, publicado em 1993; a versão cinematográfica foi escrita por Trengove e Christopher Ciancimino, mantendo o foco nas dinâmicas familiares e na dimensão militar que pressiona o protagonista.

Onde e quando The Smell of Apples foi exibido em festival?

The Smell of Apples foi exibido na secção Platform do Festival de Cinema de Toronto; a projecção no festival serviu para apresentar o filme a públicos internacionais e profissionais, posicionando-o entre adaptações literárias recentes que exploram o quotidiano e as contradições do Apartheid.

Qual é a duração e em que línguas está realizado The Smell of Apples?

The Smell of Apples tem uma duração de 104 minutos e apresenta diálogo em Afrikaans e inglês; a produção é internacional, envolvendo empresas da África do Sul, dos Países Baixos e do Chile, o que reforça o alcance e as parcerias que suportaram a realização do filme.

Em que difere esta versão do livro de Mark Behr?

The Smell of Apples na adaptação cinematográfica omite os flash-forwards do romance e reduz sinais explicativos do enredo, optando por uma estratégia minimalista que privilegia a sugestão e o crescendo de tensão familiar, em vez de explicitar completamente o destino adulto do protagonista.

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POR João Martins
João Martins

Curioso por natureza e apaixonado por tudo o que envolve o universo geek, João acompanha de perto as novidades que surgem todos os dias. Entre filmes, séries, videojogos, anime, tecnologia e cultura pop, procura sempre encontrar histórias que merecem ser partilhadas.

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