On Behalf of My Son — Gabriel Martins coloca no centro uma mãe em busca de expiação após um trágico acidente de autocarro, mas a repetição estrutural e o foco quase exclusivo na performance central acabam por empastar uma ideia forte. A obra apresenta bons instantes visuais e sociais, sem conseguir manter a tensão ao longo do seu extenso percurso de 145 minutos.
Performance central e fadiga dramática
Rejane Faria interpreta Vicentina, uma mãe que se dedica a procurar as famílias das outras vítimas para pedir desculpas em nome do filho. A personagem domina quase todas as cenas, e essa centralidade faz com que as variações emocionais se reduzam a um padrão repetido de remorso e contensão.
O elenco que a rodeia inclui Renato Novaes em dupla função (Wesley e o seu irmão), Maíra Azevedo e Giovanni Venturini, cujas presenças pontuam momentos de potência dramática. No entanto, muitas dessas sequências não alteram o trajecto interior de Vicentina, o que cria a sensação de que as histórias periféricas não são suficientemente desenvolvidas para reequilibrar o peso narrativo.
O filme tem 145 minutos e foi exibido na mostra Platform do Festival de Cinema de Toronto a 13 de setembro de 2026.
Enquadramento visual e retrato social
O filme abre com retratos do quotidiano em Belo Horizonte e constrói um tom de proximidade com as vidas marginalizadas, oferecendo um olhar atento sobre comunidades negras e trabalhadoras. A câmara de Leonardo Feliciano capta texturas urbanas que, por momentos, evocam a densidade social de títulos brasileiros anteriores.
Produzido por Filmes de Plástico e apresentado pela Netflix, o projecto revela um interesse claro em mapear ambientes e gestos cotidianos, mas o romance com a imagem não compensa a falta de variação narrativa, especialmente ao longo das quase duas horas e meia de duração.
O que acha? O que pensa desta abordagem ao luto e à expiação no cinema? Para acompanhar mais críticas e estreias, aceda à nossa editoria.
Perguntas Frequentes
Do que trata On Behalf of My Son e qual é a sua premissa?
On Behalf of My Son centra-se em Vicentina, a mãe do condutor envolvido num acidente de autocarro, e desenvolve-se em torno da sua decisão de visitar as famílias das vítimas para pedir desculpas em nome do filho. A premissa explora culpa, luto colectivo e os efeitos colaterais da visibilidade mediática numa comunidade.
Quem dirige e quem são os intérpretes principais de On Behalf of My Son?
On Behalf of My Son foi escrito e realizado por Gabriel Martins, contando com Rejane Faria como protagonista, Renato Novaes em papéis duplos, Maíra Azevedo, Giovanni Venturini e Giovanna Heliodoro no elenco. O trabalho de câmara é de Leonardo Feliciano e a música foi composta por Tiganá Santana.
Quando e onde estreou On Behalf of My Son?
On Behalf of My Son estreou na mostra Platform do Festival de Cinema de Toronto a 13 de setembro de 2026, integrando a programação destinada a obras que procuram voz autoral e riscos formais dentro do circuito festivalier.
Quanto tempo dura o filme e qual foi a recepção crítica destacada?
On Behalf of My Son tem uma duração de 145 minutos; a recepção salientou a força da premissa e a qualidade de alguns intérpretes, sobretudo Rejane Faria, mas criticou a repetição de beats narrativos e o ritmo que, segundo observações críticas, dilui o impacto emocional em momentos decisivos.
Quem produziu e como foi distribuído On Behalf of My Son?
On Behalf of My Son é uma produção das Filmes de Plástico, com produção de Thiago Macêdo Correia e produção executiva de Lara Lima, apresentado pela Netflix como plataforma de lançamento para audiências internacionais e festivalier.
Diogo Costa