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'Diary of a Mad Old Man' vira estudo sobre demência

'Diary of a Mad Old Man' é a nova adaptação cinematográfica de Jun'ichirō Tanizaki realizada por Wayne Wang, o primeiro filme do realizador desde 2019, apresentado nas Gala Presentations do Toronto Film Festival. O elenco inclui Lily Franky como Utsugi e Fan Bingbing como Satsuko; o argumento é de Kelvin Wyles e a duração anunciada é 119 minutos. A versão actualiza personagens e introduz um ângulo de demência que altera o foco moral do romance.

'Diary of a Mad Old Man' vira estudo sobre demência
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Diary of a Mad Old Man — a adaptação de Wayne Wang do romance de Jun'ichirō Tanizaki propõe uma leitura menos cáustica do original, deslocando a atenção da perversidade pessoal para questões de memória e doença. A mudança de tom transforma a natureza do conflito e compromete a frieza amarga que caracterizava o texto.

Como a adaptação altera o foco do romance

O argumento de Kelvin Wyles segue o esqueleto da narrativa de Tanizaki, mas reescreve a voz em primeira pessoa, atenuando a lucidez egoísta de Utsugi e amortecendo a natureza provocadora do conto. Sequências iniciais mantêm imagens de desejo problemático — voyeurismo, presentes caros e obsessões físicas — mas o registo emocional é mais contido.

A actualização para um presente ambíguo inclui pequenos detalhes contemporâneos, como o uso de vape entre personagens, e inventa episódios novos, por exemplo a relação de Utsugi com um corvo que traz papéis «preciosos». Essas adições visam humanizar, porém diluem a ironia e o humor negro do romance original.

«Mesmo sendo sentimental e dado às lágrimas — por mais virtuoso que isso possa soar — a minha natureza verdadeira é perversa e de coração gélido até ao extremo.»

Interpretações, cenografia e leitura contemporânea

A interpretação de Lily Franky, aos 62 anos, apresenta um Utsugi convincente na sua paralisia do lado esquerdo, sem recorrer a caricaturas físicas. Fan Bingbing aparece como Satsuko numa leitura menos manipuladora do que no livro, com um passado traumático amplificado por monólogos reflexivos.

O filme tira partido de cenários interiores — uma casa, um jardim e um bar de luxo — que situam a ação no distrito da Ginza, em Tóquio, e exploram um espaço quase claustrofóbico. A escolha formal aproxima a obra de filmes recentes que tratam de urgências sexuais na terceira idade e da representação da demência, numa linha com títulos como Teki Cometh, Familiar Touch e Queen at Sea.

O que acha? Estava à espera desta reviravolta na leitura do romance? Para acompanhar mais, aceda à nossa editoria.

Perguntas Frequentes

O que é Diary of a Mad Old Man e quem o realizou?

Diary of a Mad Old Man é a adaptação cinematográfica do romance de Jun'ichirō Tanizaki realizada por Wayne Wang, o primeiro filme do realizador desde 2019. O roteiro é de Kelvin Wyles e a peça foi exibida nas Gala Presentations do Toronto Film Festival; a duração anunciada é de 119 minutos.

Quem interpreta Utsugi e Satsuko na versão cinematográfica?

Lily Franky interpreta Utsugi na nova versão, interpretando um homem idoso com paralisia do lado esquerdo, e Fan Bingbing assume o papel de Satsuko. A presença de Fan Bingbing foi destacada pela capacidade de criar fricções subtis em relações nipónico-chinesas no ecrã.

De que forma o filme altera a natureza do protagonista do romance?

A adaptação altera a voz de Utsugi ao suavizar a sua lucidez egoísta, substituindo grande parte da perversidade explícita do romance por elementos sentimentais e narrativas novas, como a relação com um corvo e indícios de demência tardia que reorientam a motivação do personagem.

Onde e quando foi apresentada a versão de Wayne Wang?

A versão de Wayne Wang de Diary of a Mad Old Man foi apresentada nas Gala Presentations do Toronto Film Festival e a revisão publicada referiu a exibição online em 3 de setembro de 2026. A selecção para a gala indica posicionamento de destaque no circuito de festivais.

Que tom e cenografia dominam o filme?

O filme privilegia interiores quase autónomos — casa, jardim e um bar fechado — situando a ação no Ginza, em Tóquio, e adotando um tom contemplativo. A estética densifica a sensação de clausura e reforça a leitura do filme como um estudo sobre memória e envelhecimento.

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POR Diogo Costa
Diogo Costa

Apaixonado por videojogos, cinema e tudo o que faz parte da cultura geek, Diogo gosta de estar sempre a par das novidades. Escreve sobre os temas que despertam a atenção dos fãs, desde tecnologia e gaming a anime, filmes, séries, celebridades e entretenimento.

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