Oasis — Jannis Lenz estreia a sua primeira longa com uma imagem perturbadora que marca o tom: três adolescentes nus e a cuidar das feridas que infligiram uns aos outros, numa espécie de cerimónia que mistura dor e procura de sentido. A proposta tem estreia mundial na secção Horizons do Festival de Veneza e promete polarizar opiniões pela sua mistura de rigor e improvisação.
- Flash resumo: Três jovens criam um “lugar seguro” no bosque através de rituais físicos; o filme privilegia a comunicação não-verbal, com recurso a um coordenador de intimidade.
Um bosque como espaço de fuga e cura
Oasis centra-se em Andy, um aluno novo numa escola do Sul da Alemanha, cuja presença desencadeia conflito, expiação e exclusão. A narrativa acompanha a sua relação com Lukas, filho de um docente, e Maya, uma aluna de outra escola que introduz vulnerabilidade e sensualidade no grupo.
O bosque funciona como recanto onde os jovens escapam ao “sistema rígido”; aí desenvolvem rituais físicos e de partilha que substituem o discurso por olhares, toques e feridas. A tensão externa chega pelos pais e pela instituição escolar, que pressionam pela exclusão de Andy.
"Seria estranho se o tempo passado com eles não tivesse deixado influência. Mas a forma como trabalhamos como cineastas é muito diferente, e os resultados finais também. Acho que a minha forma de trabalhar é muito mais aberta. Tento ter mais abertura com os actores, com a improvisação."
Rigor na preparação e escolha estética
Apesar da abertura em filmar com os actores, Jannis Lenz adoptou uma preparação meticulosa: minimizou o diálogo e pediu comunicação não-verbal para potenciar cada olhar e movimento. O guião e a fotografia nasceram com restrições pensadas para intensificar a carga emocional.
A produção contou com um coordenador de intimidade para as cenas no bosque, e Lenz trabalhou em ensaios teóricos antes de abordar a fisicalidade das sequências. Alexander Dirninger assinou a cinematografia e a co-escrita ajudou a manter uma linguagem visual coesa e controlada.
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Perguntas Frequentes
O que conta o filme Oasis de Jannis Lenz?
O filme Oasis, de Jannis Lenz, acompanha Andy, Lukas e Maya, três adolescentes que desenham rituais físicos no bosque como forma de partilha e cura. A peça explora exclusão escolar, dinâmica familiar e a transição para a vida adulta, privilegiando a comunicação não-verbal e sequências de grande carga física.
Quem é Jannis Lenz e qual a sua ligação ao projecto Oasis?
Jannis Lenz é o realizador de Oasis e assina aqui a sua primeira longa-metragem. Lenz refere influências de cineastas que trabalhou com eles, mas afirma seguir um método próprio, conjugando preparação precisa e abertura à improvisação durante as filmagens.
Quando e onde teve Oasis a sua estreia mundial?
Oasis teve a sua estreia mundial na secção Horizons do Festival de Veneza. A apresentação na mostra coloca o filme no circuito internacional de festivais e dá-lhe visibilidade entre programadores e crítica especializada.
Como foram filmadas as cenas íntimas e de automutilação em Oasis?
As cenas íntimas de Oasis foram preparadas com um coordenador de intimidade e ensaiadas primeiro de forma teórica, para depois serem desenvolvidas fisicamente com confiança entre os actores. A intenção foi garantir segurança e autenticidade, reduzindo diálogo e aumentando comunicação gestual.
O filme Oasis aborda acontecimentos reais ou inspira‑se em casos específicos?
Oasis integra memórias pessoais do realizador, que cresceu perto do local do massacre escolar de Winnenden em 2009, e levanta questões sobre exclusão e medo. No entanto, a narrativa evita uma leitura direta de “nascimento de um agressor”, preferindo ambiguidade e nuance.
Miguel Andrade