Lumiere Summit — o encontro realizado a 7 de setembro em Saint‑Paul‑de‑Vence juntou chefes de Estado, executivos de estúdios e festivais internacionais para transformar preocupação em plano: França e Coreia formalizaram medidas económicas e políticas para proteger a indústria cultural perante a pressão das plataformas, da IA e das mudanças de consumo.
Pacto financeiro e medidas concretas para o setor
O encontro culminou na assinatura de um pacto conjunto avaliado em $1,1 mil milhões destinado a impulsionar os sectores do cinema, televisão, animação e videojogos. Foi ainda anunciada a formação de uma aliança e a calendarização de um congresso permanente entre comissões estatais de cinema.
A sessão decorreu na Fundação Maeght, em redor de obras de artistas do século XX, cenário que serviu de palco para discussões sobre financiamento, distribuição e defesa de modelos de negócio que favoreçam a produção artística tradicional. Figuras como Ted Sarandos e Donna Langley participaram nos debates e em encontros privados com chefes de Estado; a presença de responsáveis de plataformas como Netflix foi notória.
«Temos de estar prontos a resistir porque este modelo foi criado por décadas por muitos artistas, pelos Estados e pelos diferentes governos. Faz parte do nosso ADN», disse Emmanuel Macron no encontro, apelando à protecção da criação e da diversidade cultural.
Iniciativas de apoio a salas, património e criação humana
Entre os programas anunciados está a IRIS (International Resilience Initiative for Independent Screens), concebida para ajudar salas de cinema de circuito independente, e uma proposta de acelerar a preservação de filmes antigos em risco de degradação. Estas medidas procuram reforçar a circulação internacional de obras e a sustentabilidade das salas.
Do total de cerca de 200 participantes, 120 endossaram uma declaração que privilegia a criação humana, o copyright e a diversidade cultural face ao crescimento das ferramentas de IA. Também foi apresentada a recém‑criada “Lumiere Alliance”, que organizará um congresso de comissões de cinema com início agendado para a Grécia no próximo ano.
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Perguntas Frequentes
O que foi o Lumiere Summit em Saint‑Paul‑de‑Vence e quem participou?
O Lumiere Summit realizou‑se a 7 de setembro em Saint‑Paul‑de‑Vence e reuniu mais de 200 participantes provenientes de mais de 60 países, incluindo chefes de Estado, responsáveis de estúdios, festivais e plataformas. Entre os presentes estiveram Emmanuel Macron, Lee Jae Myung, líderes de grandes estúdios e programadores de festivais, com painéis ao longo do dia.
O que inclui o pacto de $1,1 mil milhões anunciado no Lumiere Summit?
O Lumiere Summit formalizou um pacto bilateral de $1,1 mil milhões destinado a reforçar produção e investimento em cinema, televisão, animação e videojogos. O acordo prevê apoios a projectos de produção, parcerias industriais e instrumentos de cooperação destinados a aumentar exportações e colaborações entre França e Coreia.
Qual é o objectivo da IRIS apresentada no Lumiere Summit?
O Lumiere Summit lançou a IRIS — International Resilience Initiative for Independent Screens — para criar uma coligação de várias dezenas de realizadores e líderes do sector. A IRIS visa apoiar cinemas de arte e ensaio em todo o mundo, oferecendo ferramentas financeiras e de promoção para garantir a sustentabilidade dessas salas.
O que disseram os participantes sobre a IA e as plataformas no Lumiere Summit?
O Lumiere Summit concluiu com 120 dos 200 participantes a assinar uma declaração que prioriza a criatividade humana, o direito de autor e a diversidade cultural. Nas discussões, foi levantada a preocupação com modelos de receita de plataformas e com a necessidade de transparência sobre o uso de ferramentas de IA na criação de imagens.
Que seguimento está previsto após o Lumiere Summit?
O Lumiere Summit anunciou a criação da “Lumiere Alliance” e planeou o primeiro congresso das comissões de cinema para se reunir na Grécia no ano seguinte. A iniciativa pretende transformar o diálogo do encontro em acção contínua, com reuniões bienais e projectos de cooperação transnacional para proteger e promover a indústria cinematográfica.
Inês Ferreira