Epic Games — a indústria dos videojogos está a enfrentar uma perturbação de oferta que, segundo o CEO Tim Sweeney, equivale à pior crise desde o Crash de 1983 e já está a agravar os custos e a capacidade de produção dos estúdios AAA.
- Flash resumo: Falta de memória e pressão por hardware (RAM e armazenamento) quadruplicaram preços, elevando orçamentos e ameaçando estúdios e empregos.
Escassez de componentes: por que a memória virou o nó crítico
Tim Sweeney descreveu a situação como "uma disrupção grave e inesperada" ao destacar que o boom da Inteligência Artificial está a consumir grande parte da capacidade de fabrico de memória e armazenamento que historicamente servia os videojogos.
O efeito direto tem sido a subida acentuada dos preços de RAM e armazenamento — valores que, segundo Sweeney, chegaram a quadruplicar — e a previsão de uma crise de abastecimento que poderá estender-se pelos próximos três anos.
"A única solução, eu acho, será a construção de novas fábricas massivas para atender às demandas de capacidade do mundo, e isso vai acontecer." — Tim Sweeney
Orçamentos, empregos e o panorama de preços dos jogos
Os números históricos apresentados mostram que o desenvolvimento de videojogos AAA evoluiu de cerca de US$ 1 milhão nos anos 1990 para US$ 10 milhões em 2005 e US$ 100 milhões em 2015; os blockbusters actuais chegam a orçamentos entre US$ 250 milhões e US$ 400 milhões.
Em paralelo, executivos como Amir Satvat alertam para o papel das ferramentas de IA na redução de equipas na América do Norte e Europa, com consequências já observadas: demissões em massa, encerramento de estúdios e cancelamento de projetos que pressionam ainda mais o ecossistema.
"Acho que isso é tão ruim quanto o crash de '83 se você for um game developer baseado na América do Norte ou na Europa Ocidental, em um estúdio AAA tradicional. Esse é o ponto zero para a destruição." — Amir Satvat
O que acha? Acha que a construção de novas fábricas será suficiente para travar a crise nos videojogos? Para acompanhar mais análises, aceda à nossa editoria de Games.
Perguntas Frequentes
O que Epic Games e Tim Sweeney afirmaram sobre a gravidade da crise nos videojogos?
Epic Games, por meio do CEO Tim Sweeney, afirmou que a indústria está a enfrentar a pior crise desde o Crash de 1983, centrada numa escassez de memória e armazenamento. Sweeney referiu que preços de RAM e armazenamento já quadruplicaram e prevê uma crise de abastecimento que poderá durar cerca de três anos.
Como a crise de componentes está a afetar os orçamentos de videojogos AAA?
A Epic Games lembra que os orçamentos escalaram substancialmente: cerca de US$ 1 milhão nos anos 1990, US$ 10 milhões em 2005 e US$ 100 milhões em 2015, com títulos atuais a chegar a US$ 250–400 milhões. O aumento do custo de hardware e equipa pressiona ainda mais estes valores e a sustentabilidade de projetos AAA.
Qual é o impacto da Inteligência Artificial no setor, segundo os responsáveis citados?
Epic Games apontou que o boom da Inteligência Artificial está a competir pela mesma capacidade de produção de memória e armazenamento, canibalizando recursos. Executivos mencionados indicam já haver redução de equipas na América do Norte e Europa, com relatos de demissões em massa e encerramento de estúdios.
Há sinais de mudança nos preços de venda ao consumidor devido a estes custos?
Epic Games e análises contextuais mostram que os preços ao consumidor já subiram: em 2020 surgiu o teto de US$ 70 nalguns lançamentos, e em 2025 houve títulos a atingir US$ 80 nas edições principais. Estas referências confirmam uma tendência de reajuste de preços no mercado de videojogos.
Que soluções foram apontadas para mitigar a crise de hardware?
Epic Games indicou que a solução plausível passa pela construção de novas fábricas de memória e armazenamento em grande escala, capaz de aumentar a oferta global. A previsão é que apenas investimentos massivos em capacidade industrial consigam equilibrar a procura nos próximos anos.
Inês Ferreira