Declaração Lumière — o texto coloca pela primeira vez um quadro explícito de governança global para o cinema e as imagens em movimento, com 15 princípios que apelam a políticas públicas, solidariedade internacional e mudança de práticas nas plataformas digitais. A mensagem central altera a forma de pensar a audiência: não como recurso a explorar, mas como confiança a proteger.
Um quadro de 15 princípios com consequências práticas
Os 15 princípios da Declaração Lumière foram apresentados no contexto do Lumière Summit em Saint‑Paul‑de‑Vence e mantêm‑se abertos a mais assinaturas, com a ambição de criar uma governança multiliteral da imagem em movimento.
O documento afirma que as obras «são um bem comum» e sublinha que a vitalidade da indústria depende de escolher, apoiar e financiar projectos ambiciosos, com destaque para co‑produções internacionais como mecanismo de diversificação de risco.
«A atenção de uma audiência não é um recurso a capturar, mas uma confiança a honrar.»
Tecnologia, economia e património: prioridades definidas
A Declaração Lumière dedica três dos 15 princípios à tecnologia, afirmando que a inteligência artificial pode reforçar a criatividade e a circulação de obras, desde que coloque a criação humana no centro.
Além da tecnologia, o texto descreve a indústria audiovisual como «um poderoso motor de crescimento económico», pede apoio público para permitir riscos iniciais na produção e alerta para o período crítico de conservação dos arquivos físicos.
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Perguntas Frequentes
O que é a Declaração Lumière e quem a adotou no Lumière Summit em Saint‑Paul‑de‑Vence?
A Declaração Lumière é um conjunto de 15 princípios para a governança global do cinema e das imagens em movimento. O documento foi adoptado por representantes de países, organizações internacionais, festivais, criadores e líderes das indústrias do cinema, televisão e videojogos no Lumière Summit em Saint‑Paul‑de‑Vence.
Que compromisso a Declaração Lumière faz em relação à audiência e às plataformas algorítmicas?
A Declaração Lumière defende que a atenção do público é «uma confiança a honrar», não um recurso a capturar, e contrasta explicitamente esse princípio com práticas de plataformas algorítmicas. O texto alerta também para o risco de agentes automatizados (agentic AI) mediando o acesso às obras.
O que diz a Declaração Lumière sobre a inteligência artificial na criação cinematográfica?
A Declaração Lumière reconhece que a inteligência artificial pode potenciar a criatividade, a inovação e a circulação de obras, mas estabelece que a criação humana deve continuar a ser o coração das obras. O documento inclui três princípios especificamente dedicados à tecnologia e à sua integração responsável.
Que propostas económicas e de apoio à produção constam na Declaração Lumière?
A Declaração Lumière descreve a indústria audiovisual como «um poderoso motor de crescimento económico», apelando a apoio público para permitir investimento em fases iniciais e defendendo a co‑produção internacional como forma de diversificar riscos e enriquecer as obras.
Como aborda a Declaração Lumière a preservação do património e a educação para a imagem?
A Declaração Lumière alerta para o «período crítico» da conservação de arquivos físicos e pede investimento e solidariedade internacional para que cada país possa transmitir a sua memória. O texto também defende uma aposta ambiciosa na educação para a literacia da imagem e no papel das salas de cinema.
Vinicius Balbino