Bridget Sullivan — a figura histórica retratada como governanta na dramatização sobre Lizzie Borden, é hoje alvo de especulação popular, mas os registos apontam apenas para o seu papel como testemunha presencial dos crimes ocorridos em Fall River. A forma como a série constrói uma ligação emocional entre Sullivan e Lizzie altera a perceção pública sem apresentar provas documentadas.
Presença na manhã dos crimes e o depoimento
Bridget Sullivan estava na residência dos Borden na manhã de 4 de agosto de 1892 e iniciou as tarefas domésticas, tendo recebido de Abby Borden instruções para limpar as janelas da casa. Trabalhou tanto no interior como no exterior antes de subir para repouse no terceiro andar por se sentir indisposta.
Pouco depois das 11h, Sullivan ouviu Lizzie chamá-la, desceu e foi informada de que Andrew Borden tinha sido encontrado morto no sofá; Lizzie pediu-lhe que procurasse ajuda. Mais tarde descobriram o corpo de Abby no quarto de hóspedes, e a investigação concluiu que Abby fora morta antes do marido.
Bridget estava na residência dos Borden na manhã de 4 de agosto de 1892, prestou depoimento sobre quem estava na casa e a sequência dos acontecimentos, e testemunhou no julgamento que acabou com a absolvição de Lizzie Borden em 1893.
Vida pessoal, contexto histórico e legado
Bridget nasceu na Irlanda e em julgamento afirmou ter cerca de 26 anos, indicando que emigrara para os Estados Unidos cerca de sete anos antes dos acontecimentos. Trabalhava para a família Borden há aproximadamente três anos e integrava a rotina doméstica do lar; Lizzie e Emma costumavam tratá-la por “Maggie”, enquanto Andrew e Abby a chamavam por Bridget.
Após o julgamento de 1893, no qual Lizzie foi absolvida, Bridget deixou definitivamente a residência dos Borden. Mudou-se para Montana, casou-se e viveu o restante da sua vida longe dos holofotes; registou-se o seu falecimento em 1948. Historicamente não existe documentação que confirme participação dela nos crimes nem um relacionamento amoroso com Lizzie — essas hipóteses são fruto de interpretações e obras de ficção.
O que acha? Acha que dramatizações como esta ajudam ou atrapalham a compreensão de casos históricos? Para acompanhar mais sobre séries e dramatizações históricas, aceda à nossa editoria.
Perguntas Frequentes
Quem foi Bridget Sullivan e qual era a sua ligação à família Borden?
Bridget Sullivan era a governanta dos Borden e estava na residência em Fall River na manhã de 4 de agosto de 1892. Imigrante irlandesa, trabalhava para a família há cerca de três anos e, no julgamento, declarou ter 26 anos, informação que ajudou a contextualizar o seu papel nos processos de investigação.
O que testemunhou Bridget Sullivan no julgamento de Lizzie Borden?
No julgamento, Bridget Sullivan prestou depoimento sobre a sequência de acontecimentos naquela manhã e identificou movimentos dentro da casa, incluindo o pedido de Lizzie para que ela fosse procurar ajuda depois de Andrew ter sido encontrado morto no sofá. O processo seguinte levou à absolvição de Lizzie em 1893.
A série 'Monstro: A História de Lizzie Borden' apresenta uma relação entre Lizzie e Bridget; isso é comprovado?
Bridget Sullivan não tem documentação histórica que comprove um relacionamento amoroso com Lizzie Borden. A série incorpora teorias e elementos de ficção para construir essa narrativa, mas os registos oficiais e o depoimento usado no julgamento não estabelecem essa ligação como facto verificado.
Quando e para onde Bridget Sullivan foi depois de deixar a casa dos Borden?
Após o julgamento de 1893, Bridget Sullivan deixou a residência dos Borden e mudou-se para Montana, onde veio a casar e a passar grande parte da sua vida. Os registos indicam que faleceu em 1948, décadas depois dos crimes de Fall River.
Qual foi a importância do depoimento de Bridget Sullivan para a investigação dos crimes?
O depoimento de Bridget Sullivan forneceu informações sobre quem estava na casa e a sequência dos acontecimentos na manhã de 4 de agosto de 1892, o que foi relevante para a reconstrução do caso durante o julgamento. Ainda assim, a autoria dos crimes nunca foi determinada judicialmente e o processo terminou com a absolvição de Lizzie em 1893.
Mariana Sousa