Bob Iger — ex-CEO da Disney — coloca agora a capacidade de gerir crises como o traço mais decisivo na escolha de um sucessor, um ajuste que ajudou a orientar a transição para Josh D’Amaro após a polémica saída de Bob Chapek. A mudança de prioridade tem implicações claras na governação do grupo.
Por que a resistência passou a ser o critério central
Iger passou a valorizar a resistência — a stamina — e a aptidão para enfrentar um ambiente “em crise permanente”, segundo as suas palavras em entrevista. Esse foco nasceu da perceção de que o processo de sucessão anterior, iniciado em 2019/2020, não testou suficientemente essa dimensão.
Para o ex-CEO, escolher alguém que saiba montar uma equipa competente e que trate crises de forma ponderada foi determinante na decisão tomada quando cedeu o lugar a Josh D’Amaro.
«Não creio que as pessoas queiram líderes destemidos, mas também não querem líderes receosos. Querem alguém que mostre alguma vulnerabilidade, mas que nunca demonstre que está assustado. [...] É preciso que seja resiliente, que tenha stamina e que saiba chamar as coisas pelo nome e lidar com elas de forma madura e equilibrada.»
Como o processo de sucessão foi ajustado
O percurso recente começou quando Bob Chapek assumiu em fevereiro de 2020; o conselho demitiu-o em novembro de 2022, o que levou ao regresso temporário de Iger e, mais tarde, à passagem do comando a Josh D’Amaro em março.
Esses acontecimentos fizeram com que, no último processo de escolha, a equipa de sucessão incluísse perguntas concretas sobre resiliência, formação de equipas e capacidade de gerir um verdadeiro cenário de crise.
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Perguntas Frequentes
Que traço Bob Iger considerou decisivo ao escolher o sucessor na Disney?
Bob Iger colocou a resiliência e a capacidade de gerir «uma crise real» como o traço decisivo, citando explicitamente a necessidade de stamina e de escolher uma boa equipa. Essa prioridade foi determinante na escolha de Josh D’Amaro quando Iger entregou o cargo em março.
Qual é a cronologia recente entre Chapek, Iger e Josh D’Amaro?
A sucessão na Disney passou por Bob Chapek, que assumiu em fevereiro de 2020; o conselho afastou Chapek em novembro de 2022; Bob Iger regressou temporariamente e, em março, entregou a liderança a Josh D’Amaro, marcando a mudança que a empresa viveu nos últimos anos.
Como Bob Iger descreve o líder adequado em tempos de crise?
Na entrevista, Bob Iger afirmou que o líder ideal mostra alguma vulnerabilidade sem demonstrar medo e que consegue «chamar as coisas pelo nome» e tratá-las de modo razoável, sã e equilibrado. Para Iger, essa abordagem é vital para gerir crises e proteger a empresa.
O que se sabe sobre o livro que envolve Bob Chapek?
Bob Iger referiu que Bob Chapek está a promover um livro intitulado "Behind the Castle Walls: My Thirty Years at the Happiest Place on Earth", onde Chapek apresenta a sua versão dos acontecimentos ligados à sucessão; a obra surge em paralelo à recente mudança na liderança para Josh D’Amaro.
Como Iger justificou as suas posições públicas sobre ambiente e imigração?
Bob Iger explicou que as suas posições sobre ambiente e imigração foram motivadas pelo interesse da Disney em prosperar: mencionou a preocupação com a capacidade de atrair talento global e com a sustentabilidade do negócio, não como ação partidária, mas como estratégia empresarial.
Mariana Sousa