Tempo Universal Coordenado (UTC) — uma alteração está em discussão que pode evitar a necessidade de subtrair um segundo do relógio global, um cenário nunca testado em larga escala e potencialmente disruptivo para serviços digitais críticos. A decisão procura reduzir riscos técnicos e custos de preparação para um evento que os sistemas atuais não contemplam.
O que muda e porquê importa
A proposta prevê que o Tempo Universal Coordenado (UTC) passe a ser contínuo a partir de 20 de maio de 2027, eliminando a utilização de segundos intercalares negativos. Em consequência, o UTC poderá divergir do tempo baseado na rotação da Terra (UT1) até uma hora, sem ajustes periódicos.
O motivo é prático: muitos sistemas informáticos e infraestruturas não foram concebidos para receber um segundo subtraído, um modo de funcionamento que nunca chegou a ser aplicado em produção globalmente. Preparar toda a indústria para esse cenário implicaria investimento comparável ao necessário para o problema do ano 2000.
"Esta é a maior alteração na medição do tempo civil desde que o segundo intercalar foi adotado em 1972. A rotação da Terra tem acelerado nos últimos anos, o que exigiria subtrair um segundo — algo que ninguém testou em produção global," disse Frank Dickson.
Riscos técnicos e impacto nas infraestruturas
A comunidade técnica alerta para falhas subtis e distribuídas caso o sistema actual se mantenha. Já houve incidentes provocados por segundos intercalares positivos, como avarias em serviços online e picos de CPU nos servidores que não trataram correctamente o ajuste de tempo.
Os peritos estimam que a probabilidade de ocorrer um segundo intercalar negativo vá aumentar nas próximas décadas, com modelos a apontar para uma subida significativa até 2035. A proposta pretende garantir previsibilidade no comportamento do relógio para quem constrói e mantém infraestruturas críticas.
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Perguntas Frequentes
O que propõe o Tempo Universal Coordenado (UTC) sobre os segundos intercalares?
O Tempo Universal Coordenado (UTC) propõe tornar-se contínuo, a partir de 20 de maio de 2027, sem aplicar segundos intercalares negativos. A medida permitiria que UTC e UT1 divergissem até uma hora, evitando a necessidade de subtrair um segundo, um procedimento que não foi usado em larga escala até agora.
Quem vai decidir implementar a mudança no Tempo Universal Coordenado (UTC)?
A General Conference on Weights and Measures (GCWM) vai votar a proposta em outubro. Se aprovada, a decisão estabelecerá a continuidade do UTC e formalizará a tolerância de até uma hora de divergência entre UTC e UT1 para as próximas décadas.
Que riscos técnicos evita a proposta ao alterar o UTC?
A proposta ao UTC evita a introdução de um segundo negativo não testado, que pode causar falhas em autenticação, registos temporais, bases de dados e sistemas distribuídos. Experiências passadas com segundos positivos já provocaram outages e picos de carga em serviços globais em 2012.
Quanto tempo pode divergir o UTC do tempo baseado na rotação da Terra (UT1)?
Com a proposta em discussão, o UTC poderá divergir do UT1 até uma hora. Essa margem foi concebida para preservar a previsibilidade dos relógios atómicos, aceitando um desfasamento gradual em vez de ajustes ocasionais que introduzem complexidade operacional.
Que probabilidades existem de surgir um segundo intercalar negativo nas próximas décadas?
Os modelos referidos na proposta indicam que a probabilidade de um segundo intercalar negativo aumentará rapidamente e pode chegar a cerca de 30% até 2035, segundo estimativas de trabalhos recentes sobre a rotação da Terra e os seus efeitos no tempo civil.
João Martins