UiPath — a empresa apresentou o Cartographer com a ambição de desbloquear a automação de processos "sujos" que até agora ficaram fora do alcance das ferramentas tradicionais; o risco imediato é operacional: sem disciplina na captura e manutenção, o potencial fica por concretizar.
Como o Cartographer mapeia o trabalho que nunca ficou documentado
O Cartographer cria um «Map of Work»: um registo vivo e governado das decisões, exceções e atalhos que mantêm os processos a funcionar no dia a dia, em contraste com manuais formais ou fluxos desenhados.
Enquanto muitas soluções gravam cada clique para reproduzir tarefas, o Cartographer actua ao nível do processo, procurando mapear como o trabalho é realmente executado e não apenas como foi concebido. Mark Geene, vice‑presidente sénior de agentic solutions, enquadra a iniciativa como a etapa seguinte de uma estratégia para levar agentes a gerir áreas mais complexas das empresas.
«Um mapa de processos diz-lhe como o trabalho está concebido para correr. O UiPath Cartographer é a chave para descobrir o conhecimento operacional de como esse trabalho corre na prática», disse Daniel Dines.
Limites, casos de uso e o papel humano
Os primeiros rascunhos de um Map of Work vão estar, inevitavelmente, incompletos — e a utilidade final dependerá da disponibilidade das equipas em partilhar conhecimento tácito e de uma disciplina organizacional para manter o mapa actualizado.
O Cartographer integra um «Decision Ledger» que regista cada excepção e a sua validação humana antes de retroalimentar o mapa, uma funcionalidade apontada como crucial em sectores regulados. Em saúde, por exemplo, clientes mostraram ganhos práticos: o tempo para gerar um pedido de recurso que demorava entre 45 e 75 minutos caiu para quatro a cinco minutos com processos automatizados apoiados por mapas, e as taxas de reviravolta nas decisões rondavam os 50% a 60% em casos reportados. Ferramentas já existentes da UiPath, como o Maestro, são usadas por algumas equipas para orquestrar fluxos ligados a estes mapas.
O que acha? Acha que esta abordagem é suficiente para automatizar processos complexos que hoje exigem julgamento humano? Para acompanhar mais, aceda à nossa editoria.
Perguntas Frequentes
O que é o UiPath Cartographer e para que serve?
O UiPath Cartographer é uma ferramenta apresentada na conferência Fusion, em Las Vegas, que constrói um «Map of Work» para registar o conhecimento operativo informal das equipas. O objectivo é captar exceções, workarounds e decisões de julgamento que impedem a automatização de processos complexos e permitir que agentes executem tarefas mais sofisticadas.
Em que se diferencia o Cartographer das soluções que gravam cliques?
O UiPath Cartographer diferencia‑se por mapear o processo no seu todo, não apenas os passos de ecrã. A abordagem combina opções pré‑construídas, um Process Atlas curado e personalização total, e introduz a função humana de cartógrafo para agregar conhecimento tácito, conforme a empresa expande agentes para áreas mais desordenadas.
O que é o Decision Ledger e qual a sua importância?
O Decision Ledger do UiPath é um registo onde cada excepção é encaminhada para um responsável humano aprovar antes de ser incorporada no mapa. Esta trilha de decisão é apontada como essencial em sectores regulados, ajudando a manter conformidade e a construir confiança operacional em agentes que passam a lidar com processos sensíveis.
Que impacto pode ter nas equipas e funções internas?
O UiPath Cartographer introduz a função de cartógrafo humano, muitas vezes um analista de negócio reposicionado para documentar processos. A expectativa é que haja menos trabalho repetitivo para analistas e mais foco em validar e manter conhecimento, com a promessa de remodelar funções em vez de as eliminar.
O Cartographer já está disponível e como começar?
O UiPath apresentou o Cartographer na conferência Fusion em Las Vegas e defende que não é necessário captar todas as regras desde o início; o objectivo é recolher informação suficiente para pôr agentes a trabalhar cedo. Organizações piloto têm usado também o Maestro para orquestrar fluxos ligados aos mapas.
Diogo Costa