Traces — a selecção da Ucrânia para a categoria internacional dos Óscares coloca na linha da frente um documentário que transforma relatos de violência em acto público de resistência e memória. A escolha sublinha não só o valor cinematográfico do filme, mas também a urgência política e social do tema para audiências internacionais.
Por que esta candidatura tem impacto fora do circuito festival
"Traces" acompanha mulheres que sobreviveram a agressões sexuais durante a guerra com a Rússia, centando-se na figura de Iryna Dovhan, antiga prisioneira que se tornou activista e grava testemunhos nas zonas desocupadas da Ucrânia. A proposta do filme é criar espaço para relatos que, segundo o comité ucraniano, não deviam permanecer silenciados.
Ao ser apontado como submissão oficial para os Óscares, o documentário ganha potencial para levar estes relatos a plataformas e públicos mais amplos, multiplicando a visibilidade internacional das sobreviventes e do trabalho de colectivos locais.
"Para mim, 'Traces' representar a Ucrânia nos Óscares é uma oportunidade para quebrar o silêncio, construir solidariedade e pôr fim à impunidade", declarou Alisa Kovalenko, sublinhando a transição do silêncio colectivo para uma voz comum que exige justiça.
Trajecto do filme: da Berlinale à corrida aos Óscares
"Traces" estreou na Berlinale, onde recebeu o Panorama Audience Award, um reconhecimento do impacto junto do público. O documentário é descrito pelo seu sinopse como "mais do que um registo de crimes de guerra": é um retrato de resiliência e da solidariedade entre as mulheres protagonistas.
Produtores Olha Bregman e Natalia Libet identificaram a candidatura como a continuação da missão de dar plataforma às vozes do filme. A corrida formal segue os prazos da Academia: a shortlist será anunciada a 15 de dezembro de 2026 e as nomeações finais a 21 de janeiro de 2027, com a cerimónia dos 99.º Academy Awards agendada para 14 de março de 2027 em Los Angeles.
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Perguntas Frequentes
Por que "Traces" foi escolhida como candidatura da Ucrânia aos Óscares?
"Traces" foi escolhida como candidatura da Ucrânia à categoria internacional dos Óscares por reunir uma narrativa considerada honesta e profunda sobre vítimas de violência sexual durante a guerra com a Rússia, seguindo relatos de sobreviventes liderados por Iryna Dovhan. O filme também venceu o Panorama Audience Award na Berlinale, o que reforçou a sua visibilidade internacional.
Quem são Alisa Kovalenko e Marysia Nikitiuk e qual foi o seu papel em "Traces"?
Alisa Kovalenko e Marysia Nikitiuk são as realizadoras de "Traces"; Kovalenko, que se identifica como sobrevivente, e Nikitiuk dirigiram o documentário que documenta testemunhos em territórios desocupados da Ucrânia. Ambas conduzem a linguagem cinematográfica que procura empatia e ligação directa entre espectador e protagonistas.
O que relata "Traces" sobre Iryna Dovhan e as zonas desocupadas?
"Traces" centra o percurso de Iryna Dovhan, uma antiga cativa que se tornou activista e documenta testemunhos de mulheres nas zonas desocupadas da Ucrânia. O filme descreve como Iryna junta sobreviventes num círculo de apoio, transformando relatos pessoais em documentação para justiça e memória colectiva.
Que prémios já venceu "Traces" antes da escolha para os Óscares?
"Traces" venceu o Panorama Audience Award na secção documental da Berlinale, um prémio do público atribuído no festival de Berlim. Esse reconhecimento público foi destacado como factor relevante para a sua escolha como submissão oficial da Ucrânia à categoria internacional dos Óscares para 2027.
Quando serão anunciadas a shortlist e as nomeações dos Óscares 2027?
A shortlist para as nomeações dos Óscares será publicada pela Academia a 15 de dezembro de 2026, e as nomeações finais serão anunciadas a 21 de janeiro de 2027. A cerimónia dos 99.º Academy Awards está marcada para 14 de março de 2027, em Los Angeles.
Diogo Costa