The Burning Giants — Phuttiphong Aroonpheng regressa com um filme que transforma uma história de deslocamento real numa fábula opressiva; o impacto político do tema cruza-se com escolhas narrativas que pedem atenção do espectador. A peça segue uma aldeia Karen desalojada, pontuada por episódios de violência, romance e uma mitologia subterrânea que insiste no seu próprio simbolismo.
Ritmo e imagem: uma atmosfera deliberadamente labiríntica
A cinematografia de Emo Weemhoff pinta céus púrpura e nevoeiros tóxicos, criando um ambiente visual onde a ameaça é tanto ambiental como política. A sensação de disorientação é intencional, mas a narrativa fragmentada mantém o ritmo num tom por vezes monocórdico, segundo a leitura crítica presente na exibição.
A narrativa abre com Yak (Awat Ratanapintha) a fugir por encostas e a ser detido por polícias de montanha com máscaras de gás; a noção de “infecção” e o nevoeiro que queima a pele são imagens que atravessam todo o filme.
O filme foi revisto em Unifrance, Paris, a 27 de agosto de 2026, e competiu na secção Orizzonti do Festival de Veneza; o enredo incorpora o homicídio de 2014 do activista Porlajee “Billy” Rakchongcharoen como ponto de partida para a sua reimaginação ficcional.
Personagens, tema social e incursões sobrenaturais
Personagens como Lak (Pakapol Srirongmuang) e Aepoh (Phunthida Phairuangkij) introduzem um romance de motocicleta que contrasta com cenas de expulsão: a casa de Yak é incendiada e a vida quotidiana das mulheres Karen é mostrada em vignetes urbanas. Waywiree Ittianunkul interpreta Aeva, cuja procura pelo passado leva a uma despedida melancólica da aldeia.
O compositorado de Christine Ott e Mathieu Gabry empurra o filme para uma secção fantástica: deidades antigas nas grutas, guerreiros luminosos e um ogre de presas transformam o drama social numa parábola mítica que repete, de forma simbólica, as mesmas denúncias de violência e assimilação.
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Perguntas Frequentes
O que é The Burning Giants e onde foi apresentado?
The Burning Giants é um filme do realizador Phuttiphong Aroonpheng que foi apresentado na secção Orizzonti do Festival de Veneza e exibido em Unifrance, Paris, a 27 de agosto de 2026. A obra mistura elementos distópicos e míticos para reimaginar a expulsão de uma comunidade Karen.
Em que se baseia a história de The Burning Giants?
The Burning Giants parte de um episódio real: o homicídio de 2014 do activista Porlajee “Billy” Rakchongcharoen e a forçada expulsão de uma comunidade Karen. O filme transforma esses factos numa narrativa ficcional que inclui arson, detenções por polícias de montanha e um nevoeiro tóxico que serve de metáfora.
Quem são os principais intérpretes e equipa técnica de The Burning Giants?
The Burning Giants tem no elenco Awat Ratanapintha (Yak), Pakapol Srirongmuang (Lak) e Waywiree Ittianunkul (Aeva), com câmara de Emo Weemhoff e música de Christine Ott e Mathieu Gabry. A produção envolve equipas da Tailândia, Singapura, França e Países Baixos.
Qual é o tom e o estilo visual de The Burning Giants?
The Burning Giants adopta um tom atmosférico e elíptico: nevoeiros, céus púrpura e longas tomadas criam uma sensação de deriva. A opção por uma narrativa fragmentada e por imagens mitológicas visa enfatizar o trauma da deslocação em vez de explicar filologicamente os acontecimentos.
Qual a duração oficial e o título original de The Burning Giants?
The Burning Giants tem tempo de execução de 118 minutos e título original “Yak”. A obra inclui diálogos em tailandês e em língua Karen, e a sua narrativa combina realismo social com detours fantástico-míticos para reforçar a dimensão política da trama.
Miguel Andrade