Nicolas Bras — o criador francês que combina artesanato e impressão 3D, está a provocar uma pequena revolução no modo como se concebem instrumentos musicais; o impacto vai além do estúdio porque os seus protótipos já entram em salas de concerto, estúdios de cinema e oficinas educativas.
Do PVC às impressoras 3D: uma oficina que virou fábrica
Nicolas Bras começou a construir aos 17 anos, com um didgeridoo de PVC e uma boquilha de cera de vela, e aprofundou técnica de percussão estudando tabla em Varanasi antes de fixar-se em Paris.
Quando passou a usar impressão 3D, encontrou “a peça que faltava”: a tecnologia permitiu desenhar partes que antes não existiam no mercado de bricolage e transformou a sua oficina numa pequena linha de produção criativa.
"De repente tive a oportunidade de desenhar todas as partes que tinha na cabeça."
Instrumentos que tocam música, ensinam e ocupam palcos
Bras já concebeu mais de 1.500 protótipos e afirma que menos de 10 não funcionaram — uma taxa de sucesso que justifica a sua aposta em experimentação e modularidade.
A sua flauta overtone de PVC é um exemplo: corpo modular e cabeça estilo recorder que toca apenas escalas harmónicas, descrita como sem furos, sem dedilhação e sem notas erradas possíveis. Muitos dos seus instrumentos usam PLA para garantir precisão em passagens muito pequenas.
Além de vender kits modulares e publicar ficheiros para impressão, Bras desenha instrumentos para cinema, videojogos e concertos clássicos — um projecto em Paris envolve 300 flautas plásticas ligadas por quilómetros de tubos amarelos, a ser tocado por uma orquestra de 30 músicos.
O que acha? O que acha desta fusão entre artesanato e tecnologia? Para acompanhar mais, aceda à nossa editoria.
Perguntas Frequentes
Como é que Nicolas Bras começou a construir instrumentos e que formação tem?
Nicolas Bras começou a criar instrumentos aos 17 anos, com um didgeridoo de PVC e uma boquilha de cera, e fez formação em tabla na antiga cidade indiana de Varanasi. Essa combinação de aprendizagem tradicional e autoaprendizagem levou-o a dedicar-se a construir instrumentos a partir de materiais recuperados e impressão 3D.
Quantos protótipos já criou Nicolas Bras e qual é a taxa de sucesso?
Nicolas Bras já desenvolveu mais de 1.500 protótipos e conta que menos de 10 desses modelos falharam, o que revela um processo fortemente iterativo. Cada protótipo funciona como ferramenta de investigação sonora, onde a experimentação e a aprendizagem por tentativa e erro são centrais à sua prática.
O que distingue a flauta overtone de Nicolas Bras de instrumentos convencionais?
A flauta overtone de Nicolas Bras tem um corpo modular e uma cabeça estilo recorder que produz apenas escalas harmónicas; essa construção elimina furos e dedilhação, tornando-a quase à prova de “notas erradas”. O desenho modular permite ainda expandir o instrumento com novos tubos e peças.
Que materiais e técnicas usa Nicolas Bras na impressão 3D e porquê?
Nicolas Bras recorre maioritariamente a PLA em impressão 3D, porque esse material e a precisão de impressão garantem passagens internas muito pequenas essenciais em instrumentos de sopro. Para ele, a forma e a precisão superam a composição do material no que toca à cor e à ressonância do ar.
Em que projectos públicos e profissionais os instrumentos de Nicolas Bras são usados?
Nicolas Bras tem projectos em cinema, videojogos e música clássica; um exemplo ambicioso envolve 300 flautas plásticas conectadas por quilómetros de tubos amarelos para interpretação por uma orquestra de 30 músicos num dos maiores palcos clássicos de Paris, demonstrando a escala e o alcance das suas criações.
Inês Ferreira