Mugalim — a nova longa-metragem de Ayana Nurdinova chamou a atenção internacional ao estrear na secção New Directors do Festival de San Sebastián, posicionando o cinema do Cazaquistão num circuito de descoberta e crítica e sublinhando as tensões entre ambição individual e raízes locais.
Estreia e enredo que cruza sonho e responsabilidade
Mugalim acompanha um professor de música de Balkhash que sonha transferir-se para a cidade grande para se apresentar na filarmónica. O protagonista recebe a oportunidade de partir com o tio do seu melhor amigo, mas enfrenta a hipótese de deixar família e alunos para trás para seguir a carreira artística.
Produzido pela Art East Films, o filme conta com Oljas Dalelkhan, Rustem Zhanyamanov, Shynar Zhanisbekova, Olga Landina, Akif Petrov e Madina Yesman no elenco. A presença em San Sebastián reforça a visibilidade internacional desta produção cazaque.
"O Cazaquistão está atualmente a viver um período muito activo no cinema, com um grande número de filmes e séries a serem produzidos; acredito que o cinema cazaque está a crescer e que, nos próximos 10–20 anos, veremos o seu pleno potencial." — Aruzhan Dossymkosha
Rodagem, referências pessoais e contexto local
A realizadora Ayana Nurdinova descreveu Mugalim como parcialmente semi‑autobiográfico, inspirando‑se na escola onde cresceu em Taldykorgan e na figura da sua mãe, professora de inglês há mais de 30 anos. O filme insere elementos da vida real para construir personagens e relações familiares que atravessam ambição e memória.
A acção sucede em Balkhash, cidade à beira do lago homónimo, e a narrativa situa‑se em 2024, ligando‑se ao debate público sobre a construção de uma central nuclear na localidade de Ulken. Durante as filmagens houve protestos locais que reduziram uma cena planeada a um único plano geral.
A rodagem decorreu durante 23 dias numa localização a cerca de 700 km da cidade natal da equipa, e a produção enfrentou limitações de água, obras nas ruas, calor de verão e uma forte presença de mosquitos — circunstâncias que condicionaram a logística e a estética do filme.
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Perguntas Frequentes
Quando e onde teve a estreia mundial Mugalim?
Mugalim teve a estreia mundial no Festival de San Sebastián, integrado na secção New Directors, a 20 de setembro. A apresentação em San Sebastián constitui o primeiro salto do filme para o circuito internacional de festivais e serve como plataforma para atraer programadores, críticos e públicos para o cinema do Cazaquistão.
O que conta Mugalim e quem interpreta o professor de música?
Mugalim conta a história de um professor de música de Balkhash que ambiciona tocar na filarmónica e enfrenta a escolha entre carreira e comunidade. O protagonista é interpretado por Oljas Dalelkhan, com coadjuvantes como Rustem Zhanyamanov e Shynar Zhanisbekova a compor o elenco principal.
Quem realizou e produziu Mugalim e que ligação pessoal há no filme?
Mugalim foi escrita e realizada por Ayana Nurdinova e produzida pela Art East Films, com Aruzhan Dossymkosha como produtora associada. Nurdinova descreve o filme como parcialmente semi‑autobiográfico, inspirado na sua escola em Taldykorgan e na experiência da mãe, professora de inglês há mais de 30 anos.
Como decorreu a rodagem de Mugalim em Balkhash e que desafios surgiram?
Mugalim foi rodado em Balkhash ao longo de 23 dias numa equipa deslocada a cerca de 700 km da sua cidade base. A produção enfrentou problemas de abastecimento de água, obras nas ruas, calor intenso e mosquitos; durante uma cena, moradores pediram a interrupção por causa do debate local sobre uma central nuclear na aldeia de Ulken.
Qual é o significado da canção "Aigölek" em Mugalim?
Mugalim incorpora a canção tradicional "Aigölek", que evoca a imagem da lua cheia e um tom afectuoso e infantil. No filme, "Aigölek" funciona como um refrão cultural — canção infantil em roda — que celebra a beleza da terra natal e a inocência da infância, reforçando o arco emocional da trama.
Inês Ferreira