Morro — o novo longa de Rodrigo García Saiz— chega a San Sebastián com um argumento que mistura trauma pessoal e silêncio moral. Em vez de mostrar a violência, o filme privilegia a reconstrução afectiva: um veterinário numa vila mexicana vê a sua rotina transformada pela chegada de Morro, um cão cujo dono está ligado ao crime.
Uma história de cura e perguntas morais
O núcleo narrativo de Morro centra-se em Mateo, um veterinário assombrado pela perda do filho, cuja vida muda ao cuidar de um cão ferido pertencente a um traficante local. A relação que se estabelece entre homem e animal funciona como catalisador de uma nova vontade de viver.
Rodrigo García Saiz construiu a história a partir de investigação em zonas de conflito e relatos reais; o filme é uma adaptação livre de experiências que o realizador foi recolhendo. Apesar do contexto de violência presente, a violência não é exibida de forma gráfica — a intenção é explorar as consequências no quotidiano das pessoas.
“Sempre tive uma ligação com os cães e também quis refletir sobre a violência no México desde que o deixei. Mas não tanto em mostrar a violência em si, mas no que acontece às pessoas que ficam. E como um animal que não julga, que pede apenas amor e dá amor, pode ajudar.” — Rodrigo García Saiz
Produção, formato e equipa técnica
Morro é o segundo longa de Rodrigo García Saiz e foi rodado em 35mm com o director de fotografia Alfonso Herrera Salcedo, escolha que, segundo a equipa, exigiu disciplina e deu ao filme uma textura particular. O apoio técnico incluiu parcerias com fornecedores de laboratório e materiais de filme.
O elenco inclui Gustavo Sánchez Parra, conhecido por papéis em Amores Perros, que acabou por criar uma forte ligação com o cão do filme — o actor chegou mesmo a levá-lo para casa durante a produção. A produção conta com Calouma Films, Central Films e The 42 Film, entre outros produtores envolvidos.
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Perguntas Frequentes
Do que trata o filme Morro e qual é o seu ponto de partida narrativo?
O filme Morro centra-se na relação entre Mateo, um veterinário rural, e um cão ferido chamado Morro. A narrativa parte da culpa não resolvida de Mateo pela perda do filho e explora como o vínculo com o animal lhe devolve um sentido de propósito, num contexto marcado pela presença silenciosa da violência no México.
Em que secção e quando Morro está a ser exibido em San Sebastián?
Morro integra a secção New Directors do 74.º Festival de San Sebastián, que decorre de 18 a 26 de setembro. A presença nesta secção posiciona o filme entre propostas emergentes e sinaliza-o como um projecto de autor com relevo no circuito de festivais.
Quem são os principais nomes do elenco e da equipa técnica de Morro?
Morro tem Rodrigo García Saiz como realizador e Gustavo Sánchez Parra no papel principal; a fotografia foi assinada por Alfonso Herrera Salcedo. A equipa técnica optou por trabalhar em 35mm, uma decisão que influenciou o ritmo de trabalho e a estética do filme.
Como foi a opção técnica de filmar em 35mm e que impacto teve na produção?
A escolha de rodar Morro em 35mm foi uma estratégia consciente para recuperar um ritmo de trabalho mais contido; a equipa refere que a película exige silêncio no set e atenção redobrada, especialmente ao trabalhar com um animal e com um actor experiente como Gustavo Sánchez Parra.
Quais são os créditos de produção de Morro e há outros projectos anunciados pelo realizador?
Morro foi produzido por Calouma Films, Central Films e The 42 Film, com uma equipa de produtores que inclui nomes ligados a cinema latino-americano. Rodrigo García Saiz já anunciou que está a desenvolver um próximo projecto pessoal sobre a sua relação com o pai, falecido no seu décimo aniversário.
Diogo Costa