Miike Takashi — o realizador, cuja filmografia ultrapassa as cem longas-metragens, estreia-se em documentário com Shumei, uma obra centrada na figura de Ichikawa Danjūrō e na cerimónia de sucessão de 2022. A exibição em Veneza colocou o kabuki sob um foco internacional mais directo.
- Flash resumo: Shumei documenta a cerimónia de sucessão de 2022 de Ichikawa Danjūrō e marca o primeiro documentário de Miike, apresentado fora de competição em Veneza.
Por que este documentário altera a perceção sobre o kabuki
Shumei não se limita a registar movimentos cénicos: procura revelar as pessoas por detrás da tradição. O filme segue a passagem de nome de palco de Ichikawa Danjūrō na cerimónia de 2022, expondo rotinas, tensões e a relação entre mestre e família.
Ao chegar ao festival de Veneza fora de competição, a obra surge num momento em que o público internacional mostra maior curiosidade pelo kabuki, consequência também do sucesso recente de outros títulos japoneses nas salas e prémios internacionais.
«Encaro uma variedade de projectos; é tudo cinema — não faço grande diferença entre modos. Não estava particularmente consciente de fazer um documentário, mas diria que é uma progressão natural. Danjūrō apareceu diante de mim há oito anos e deu‑me a oportunidade de filmá‑lo. Não havia forma de recusar uma oportunidade assim.»
Relação entre realizador e sujeito e a abordagem estética
A ligação entre Miike e Ichikawa Danjūrō é antiga e profissional: o actor já participou em filmes de Miike como Hara‑Kiri e Blade of the Immortal. Em Shumei, essa história partilhada permite um retrato que junta admiração e uma proximidade que o cinema raramente alcança.
Formas e intenções do realizador também se mostram claras: Miike adoptou uma postura de mínimo intervencionismo nas cenas de palco, privilegiando registos crus para despertar a curiosidade do espectador sobre quem são Danjūrō e o seu filho, mais do que celebrar apenas a beleza cénica.
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Perguntas Frequentes
O que mostra Miike Takashi em Shumei e qual é o foco principal do documentário?
Miike Takashi, em Shumei, acompanha a cerimónia de sucessão de 2022 do Ichikawa Danjūrō, concentrando‑se na tomada do novo nome de palco. O foco é humano: registar a energia do performer, a dinâmica familiar e provocar interesse em ver kabuki ao vivo, mais do que apenas exibir a técnica cénica.
Miike Takashi já tinha feito documentários antes de Shumei?
Miike Takashi nunca tinha realizado um documentário até Shumei; é a sua estreia no género após uma carreira com mais de cem longas‑metragens em vários géneros. Shumei foi apresentado em Veneza fora de competição, assinalando a entrada do realizador no campo documental numa plataforma internacional.
Quem é Ichikawa Danjūrō e que papel ocupa em Shumei?
Ichikawa Danjūrō é o sujeito central de Shumei; o filme regista a cerimónia de sucessão em 2022 em que adopta o seu prestigiado nome de palco. Danjūrō já tinha colaborado com Miike em filmes como Hara‑Kiri e Blade of the Immortal, o que reforça a familiaridade entre realizador e estrela do kabuki.
Como descreve Miike Takashi a sua abordagem às cenas de palco no documentário?
Miike Takashi adoptou uma abordagem discreta às cenas de palco em Shumei: optou por não orientar o trabalho no teatro, procurando um registo o mais cru e simples possível. A intenção foi captar a personalidade de Danjūrō e do seu filho para suscitar no público a vontade de os ver ao vivo.
Onde foi exibido Shumei e qual o contexto internacional em torno do filme?
Shumei foi exibido em Veneza fora de competição, posição que destaca o filme sem o colocar no concurso principal. A estreia ocorre num período de maior atenção internacional ao kabuki, reforçada pelo sucesso de títulos japoneses recentes, incluindo um filme referido como nomeado aos Óscares no ano anterior.
Mariana Sousa