Microsoft — A gigante tecnológica está a abrir a porta a modelos chineses open-weight, argumentando que a tecnologia mais leve e personalizável pode reforçar competitividade económica e utilidade para empresas, mesmo num contexto em que concorrentes e decisores políticos nos EUA pedem limitações ou proibições.
Modelos leves que as empresas querem usar
Os modelos chamados "lightweight" ou open-weight exigem recursos computacionais muito inferiores aos grandes centros de dados usados por alguns serviços americanos, tornando‑os mais baratos de licenciar e operar.
Além do custo, a grande vantagem para clientes empresariais é o acesso aos "pesos" do modelo, que permite ajustar parâmetros para fins específicos — algo que não é possível com muitos modelos proprietários.
“Os modelos open-weight são essenciais a um ecossistema de IA saudável”, afirmou Satya Nadella, acrescentando que estes modelos vão “reforçar a competitividade americana e ampliar a oportunidade económica, protegendo a segurança nacional.”
Conflito entre proibição e adoção prática
Algumas empresas, nomeadamente OpenAI e Anthropic, apoiam restrições à entrada de modelos open-source chineses nos EUA, citando riscos de segurança e censura. Outros actores, entre os quais Microsoft, Meta, Nvidia e Google, defendem que os problemas podem ser geridos e que os modelos trazem benefícios económicos.
Na prática, a Microsoft já disponibiliza o modelo DeepSeek através do Azure e está a testar a sua oferta junto de utilizadores do produto Copilot Cowork, posicionando‑se para tirar proveito comercial das capacidades open-weight.
O que acha? O que acha desta aposta da Microsoft? Para acompanhar mais, aceda à nossa editoria.
Perguntas Frequentes
O que são modelos open-weight e por que a Microsoft os apoia?
Microsoft vê os modelos open-weight como versões de IA que permitem acesso aos parâmetros de treino, e por isso são facilmente customizáveis para negócios. Modelos como o DeepSeek, citado pela empresa, exigem menos processamento e são mais baratos de operar, argumento central para a aposta comercial da Microsoft no Azure.
Como é que a Microsoft está a disponibilizar o DeepSeek aos clientes?
Microsoft colocou o modelo DeepSeek disponível via Azure e está a testar integrações em produtos como o Copilot Cowork. A disponibilização no Azure permite que empresas experimentem e licenciem o modelo sem necessidade de enormes infraestruturas próprias, segundo a estratégia anunciada pela empresa.
Quais são as principais empresas contra os modelos chineses e porquê?
OpenAI e Anthropic figuram entre as vozes que defendem restrições, alegando riscos de segurança e de conformidade com regras de censura. Esses actores têm feito pressão política para limitar o acesso a modelos open-source provenientes da China, citando potenciais ameaças a dados e interesses estratégicos.
Que impacto económico é que a Microsoft espera obter com estes modelos?
Microsoft considera que a adopção de modelos open-weight vai “reforçar a competitividade americana” e criar oportunidades económicas mais vastas, segundo declarações executivas. A lógica comercial é que oferecer DeepSeek e outros modelos ao mercado aumentará a base de clientes e as receitas de serviços no Azure.
Como pode evoluir a regulação em redor destes modelos nos EUA?
O futuro regulatório está incerto: há alianças políticas e empresariais que procuram limitar a entrada de alguns modelos, enquanto outros actores económicos defendem a sua utilização controlada. Observadores apontam que, à medida que a tecnologia se difunde, a discussão vai misturar segurança nacional, interesses comerciais e pressão dos clientes.
Mariana Sousa