Maggie Gyllenhaal — na conferência de imprensa do júri do Festival de Veneza, a presidente do painel colocou a política no centro do debate e deixou um alerta directo sobre a representação feminina na competição, sublinhando que há barreiras estruturais que condicionam quem consegue financiamento.
- Flash resumo: A presidente do júri disse que o cinema é “fundamentalmente, inevitavelmente político” e apontou que só um filme na corrida ao Leão de Ouro foi realizado exclusivamente por uma mulher.
Política, empatia e o papel do cinema
Na conferência, Maggie Gyllenhaal defendeu que os filmes não podem ser dissociados do contexto político: para ela, a arte serve como uma abertura para a empatia, mesmo quando trata de personagens ou assuntos desconfortáveis. O argumento surgiu num momento em que o festival enfrenta debates sobre conflitos internacionais e tensões sociais.
Gyllenhaal lembrou ainda a sua experiência como realizadora de “The Bride” e afirmou estar aberta e curiosa para ouvir histórias variadas, inclusive sobre figuras corruptas ou pervertidas, porque esse encontro pode provocar reflexões éticas e emocionais no público.
“Acho que finalmente ficou claro que os homens fazem filmes melhores do que as mulheres.”
Representação feminina na competição e reconfigurações do lineup
Os números da selecção impressionaram a organização e os observadores: apenas um filme na competição principal foi assinado exclusivamente por uma realizadora — “Woman Unknown”, de May El‑Toukhy, realizadora dinamarquesa‑egípcia. Diante deste contraste, Gyllenhaal afirmou que “há um problema sistémico. É mais difícil às mulheres obter financiamento para filmes”.
Foi também explicado que o documentário “Naza”, de Yuval Abraham e Rachel Szor, entrou na competição pouco antes do início do festival, uma alteração que afectou a composição dos títulos em concurso. A presidente representou um júri de sete elementos, que inclui nomes como Kaouther Ben Hania, Johnnie To, Shahrbanoo Sadat, Xavier Giannoli, Daniel Blumberg e Francesco Casetti.
O que acha? O que pensa desta avaliação sobre financiamento e espaço para realizadoras no cinema? Para acompanhar mais, aceda à nossa editoria.
Perguntas Frequentes
O que disse Maggie Gyllenhaal sobre a relação entre cinema e política na conferência do júri em Veneza?
Maggie Gyllenhaal afirmou que os filmes são “fundamentalmente, inevitavelmente políticos” e explicou que, face a crises internacionais como as guerras no Gaza e na Ucrânia, o cinema está a funcionar como uma via para a empatia. A declaração surgiu durante a conferência oficial do júri do Festival de Veneza.
Por que motivo Maggie Gyllenhaal falou em “problema sistémico” para realizadoras?
Maggie Gyllenhaal usou a expressão “problema sistémico” para referir as dificuldades que as mulheres enfrentam no acesso ao financiamento, destacando que isso se reflete na selecção: apenas “Woman Unknown”, de May El‑Toukhy, figura como o único filme da competição dirigido exclusivamente por uma mulher.
Qual é o filme de uma realizadora presente na corrida ao Leão de Ouro e quem o realizou?
Maggie Gyllenhaal mencionou que “Woman Unknown”, obra de May El‑Toukhy, é o único título da competição principal assinado exclusivamente por uma realizadora; a presença deste filme sublinha o desequilíbrio de género na selecção que está a ser debatido no festival.
Quem compõe o júri presidido por Maggie Gyllenhaal em Veneza?
Maggie Gyllenhaal preside a um júri de sete elementos que inclui Kaouther Ben Hania, Johnnie To, Shahrbanoo Sadat, Xavier Giannoli, Daniel Blumberg e Francesco Casetti; Gyllenhaal representou o painel na conferência, enquanto os restantes membros assistiram ao evento.
Houve polémica em torno da realização da conferência de imprensa do júri — o que se passou?
Maggie Gyllenhaal marcou presença numa conferência cuja realização esteve em dúvida devido a alegados “problemas de agenda”, mas o evento foi reinstaurado após críticas. A polémica decorreu em paralelo com um apelo do colectivo Venice4Palestine, que pediu solidariedade e a exibição da bandeira palestiniana no festival.
João Martins