Lumière Summit — num painel em Saint‑Paul‑de‑Vence, responsáveis de grandes festivais alertaram para uma combinação crescente de pressão política, desafios económicos e perda de recursos de imprensa que está a transformar a forma como os eventos escolhem e promovem filmes.
- Flash resumo: Diretores de Cannes, Toronto, Berlinale, Annecy, Red Sea e outros pediram proteção à autonomia de programação e sublinharam o papel das plateias na sobrevivência dos festivais.
Pressão política e apelo à independência editorial
O painel, intitulado “Easy to Criticize, Impossible to Replace: Rethinking the Festival” e moderado por Rajendra Roy, concentrou a discussão na relação entre festivais, públicos e pressões externas. Laurence Herszberg, diretora-geral da Séries Mania, foi enfática ao descrever as exigências que os eventos estão a enfrentar.
A Séries Mania, festival de acesso livre que registou mais de 112.000 participantes, 5.200 profissionais e mais de 600 jornalistas nesta edição, foi usada como exemplo da dificuldade de controlar quem entra num evento público e da necessidade de salvaguardar programações e artistas.
"Não julgamos artistas pelo passaporte; julgamo-los pelas suas obras."
Audiências, imprensa e ecos no ecossistema dos festivais
Os diretores sublinharam que a relação com o público e com a imprensa é central para a resiliência dos festivais. Tricia Tuttle destacou o foco no crescimento de audiências após uma edição com 450.000 entradas; Iris Knobloch realçou os 40.000 acreditados de 140 países e mais de 4.000 jornalistas em Cannes.
Do mesmo modo, Cameron Bailey lembrou a evolução do Toronto Film Festival, que está a lançar o seu primeiro mercado formal e vê programas de base como o Next Wave — com 15 anos — como investimento vital para novos públicos e para a descoberta de títulos que acabam por ser sucesso comercial.
O que acha? O que acha desta pressão sobre a programação dos festivais? Para acompanhar mais, aceda à nossa editoria.
Perguntas Frequentes
O que foi debatido no painel do Lumière Summit sobre o futuro dos festivais de cinema?
O Lumière Summit reuniu responsáveis de festivais de Berlim, Cannes, Toronto, San Sebastián, Annecy, Mumbai, Durban, Red Sea e South by Southwest para debater audiências, relação com a imprensa e as pressões políticas e económicas que afectam a programação; o painel foi moderado por Rajendra Roy e explorou soluções práticas para proteger programações.
Que preocupações de programação a Séries Mania levantou no Lumière Summit?
No Lumière Summit, a Séries Mania destacou que, com mais de 112.000 participantes, 5.200 profissionais e mais de 600 jornalistas nesta edição, é cada vez mais difícil impedir interferências externas; o festival sublinhou a necessidade de mecanismos de protecção para garantir que a selecção se baseia nas obras e não em nacionalidades.
Que exemplos concretos de audiência e recursos foram mencionados no encontro?
O Lumière Summit citou números concretos: a Berlinale teve 450.000 entradas no ano anterior; Cannes contou com 40.000 acreditados de 140 países e 4.000 jornalistas; MAMI projectou entre 1.000 e 1.400 espectadores por sessões restauradas; e a Red Sea confirmou que a última edição esgotou todas as projecções.
Como a crise nos meios de comunicação está a afectar a discussão sobre filmes nos festivais?
No Lumière Summit foi destacado que a redução de recursos nos media está a limitar a capacidade crítica: San Sebastián apontou que cada vez são enviados menos críticos; essa tendência, combinada com a corrida por notícias imediatas, dificulta a cobertura reflexiva e a atenção sustentada às obras apresentadas nos festivais.
Os festivais correm risco sem o apoio da indústria americana, como foi debatido no painel?
Durante o Lumière Summit foi colocada a questão se os festivais sobreviveriam sem a indústria dos EUA; a resposta foi majoritariamente afirmativa salvo uma ressalva de Durban, cuja directora apontou que, sem o ecossistema norte‑americano, há riscos reais — especialmente para plataformas de financiamento e distribuição — embora o foco continue a ser reforçar conteúdos locais e africanos.
Mariana Sousa