IA — As evidências mais recentes apontam para uma imagem ambígua: a inteligência artificial não está a causar uma vaga generalizada de desemprego, mas está a reorganizar o mercado, com impacto mais claro nos trabalhadores de entrada. Para quem procura respostas, o risco e a oportunidade coexistem.
Impacto desigual: jovens ficam para trás, experientes usam IA como complemento
Os dados de emprego até junho de 2026 mostram que os cortes de vagas atribuídos à IA não traduzem, por enquanto, numa redução em toda a economia. Contudo, a alteração do conteúdo do trabalho está a penalizar quem entra no mercado.
Trabalhadores entre os 22 e os 25 anos em ocupações muito expostas à IA têm emprego cerca de 19% abaixo do que teriam se tivessem acompanhado grupos menos expostos; a queda de emprego desses jovens em funções expostas foi de aproximadamente 11% desde finais de 2022, enquanto ocupações menos expostas cresceram cerca de 10%.
“Não são visíveis, nos dados de salários, perdas de emprego impulsionadas pela IA em toda a economia até junho de 2026”, afirmaram os investigadores.
Mercado de trabalho: cortes, contratações e procura por competências
Em 2026, foram atribuídos à IA cerca de 116.175 cortes de postos, com 3.462 ocorridos em agosto — um valor mensal em queda face a meses anteriores e o mais baixo desde dezembro de 2025, quando se registaram 142 cortes atribuídos à IA.
Ao mesmo tempo, a procura por talento com capacidade em IA manteve-se elevada: em agosto havia cerca de 320.000 anúncios a exigir competências de IA, um aumento de 4,5% face a julho, e a procura anual por estas competências cresceu cerca de 96%.
O que acha? Acha que a IA está a colocar os jovens em desvantagem no mercado de trabalho? Para acompanhar mais, aceda à nossa editoria.
Perguntas Frequentes
A Inteligência Artificial está a eliminar empregos em massa?
A Inteligência Artificial não está a provocar cortes generalizados nos dados de folha de pagamento até junho de 2026; contudo, foram atribuídos à IA 116.175 cortes em 2026, com 3.462 em agosto, um recuo mensal que sugere uma tendência de declínio nos números mensais atribuídos à tecnologia.
Por que a Inteligência Artificial afeta mais os trabalhadores jovens?
A Inteligência Artificial tem automatizado tarefas de nível de entrada, o que está a prejudicar trabalhadores mais jovens. Entre os 22–25 anos, posições em ocupações muito expostas à IA estão cerca de 19% abaixo do esperado e a ocupação desses jovens em funções expostas caiu cerca de 11% desde finais de 2022.
Que números concretos mostram o impacto da IA nos 22–25 anos?
A Inteligência Artificial deixou o grupo dos 22–25 anos em ocupações muito expostas cerca de 19% abaixo do comparador das ocupações menos expostas; especificamente, o emprego desses jovens em funções expostas caiu cerca de 11% desde finais de 2022, enquanto as ocupações menos expostas cresceram cerca de 10%.
A procura por profissionais com competências em IA continua a crescer?
A Inteligência Artificial está a impulsionar a procura por competências especializadas: em agosto havia cerca de 320.000 ofertas que exigiam capacidades de IA, um aumento de 4,5% face a julho, e a procura de competências de IA registou um crescimento anual de cerca de 96% segundo as medidas de mercado.
Como têm evoluído os cortes de emprego atribuídos à IA nos últimos meses?
A Inteligência Artificial foi associada a 116.175 cortes em 2026, com 3.462 cortes em agosto — o nível mensal mais baixo desde dezembro de 2025, quando se contabilizaram 142 cortes atribuídos à IA — e os relatórios do setor apontam também para planos de contratação agressivos em 2027.
Diogo Costa