Googlebooks — a nova linha de portáteis com estreia marcada para 5 de outubro abre caminho com um sistema que se aproxima mais do universo Android do que do ChromeOS tradicional, uma mudança que altera expectativas para utilizadores que esperam a experiência clássica de PC.
Mudança de kernel: por que isto importa
O núcleo do sistema operacional dos Googlebooks foi substituído pelo kernel do Android, não pelo kernel Linux especializado que suporta Chromebooks. Essa alteração foi pensada para tornar o aparelho mais integrado com telemóveis Android, com recursos como app casting e partilha sem fios de ficheiros.
A opção pelo kernel Android deve permitir desenvolvimento sincronizado entre Android e GooglebookOS, com atualizações anuais e correções trimestrais, mas também introduz desafios de compatibilidade com ferramentas de ambiente de trabalho que os utilizadores de Windows ou macOS consideram essenciais.
«Aquele kernel trazia muito do mundo dos telemóveis, mas não trazia o que é preciso num desktop. O launcher é totalmente novo. Pegámos em ideias do ChromeOS e basicamente reescrevemo‑las.» — Michael Wendling
Hardware, compatibilidades e o horizonte do Linux
Há já exemplos de funcionalidades incompletas durante os testes: foi identificado um bug que impedia arrastar com clique no ambiente de trabalho e a compatibilidade de periféricos foi herdada do ChromeOS, o que significa que alguns ratos, teclados e drivers podem não funcionar correctamente no arranque. A experiência inicial pode recordar o lançamento ARM para PCs em 2024, quando drivers e apps legadas falharam em muitos equipamentos.
O GooglebookOS oferece acesso a um terminal Linux dentro de uma máquina virtual segura, o que permite correr agentes como Claude Code ou Antigravity, mas não permite executar aplicações gráficas como o Steam diretamente nessa VM por agora. Existiram conversações sobre trabalho conjunto com Valve e o projeto Proton para potenciar jogos no futuro, mas isso ainda não está confirmado para o lançamento.
O que acha? Acha que a troca para o kernel Android compromete a experiência de quem procura um portátil para tarefas de produtividade? Para acompanhar mais, aceda à nossa editoria.
Perguntas Frequentes
Quando é que os Googlebooks vão ser lançados e quantos modelos chegam em estreia?
Os Googlebooks chegam em 5 de outubro com cinco portáteis iniciais planeados para o lançamento. A linha estreia com modelos a correr GooglebookOS e hardware que inclui processadores Intel Core Ultra Series 3 e Qualcomm Snapdragon X Elite, distribuídos entre diferentes configurações para consumidores.
O que significa o GooglebookOS usar o kernel Android?
O GooglebookOS usar o kernel Android significa que a base do sistema tira partido de componentes concebidos para telemóveis, o que favorece integração com apps Android e funcionalidades como app casting. Contudo, isso também implica que algumas capacidades nativas de desktop podem não estar presentes no arranque.
Que processadores equipam os primeiros Googlebooks e por que não usam o Snapdragon X2?
Os primeiros Googlebooks vão usar Intel Core Ultra Series 3 ou o Snapdragon X Elite lançado quase dois anos antes; a razão para não adoptar o Snapdragon X2 prende‑se com o início prévio da parceria, que deixou o X Elite como plataforma mais integrada nos planos de desenvolvimento.
O GooglebookOS permite usar Linux e agentes como Claude Code?
O GooglebookOS disponibiliza um terminal Linux dentro de uma máquina virtual segura, permitindo correr agentes como Claude Code ou Antigravity. Essa VM existe como um ambiente separado e pode ser principalmente útil para desenvolvedores na fase de lançamento.
Que incompatibilidades e limitações tecnológicas se esperam no lançamento?
Entre as limitações apontadas estão bugs de interface — por exemplo, problemas com arrastar no ecrã — e lacunas de compatibilidade com periféricos e aplicações legadas. A integração de drivers foi adaptada do ChromeOS, mas alguns dispositivos e apps podem 'cair pelas fissuras' no arranque.
Ricardo Almeida