Durban FilmMart — a 17.ª edição do encontro, que decorre em Durban de 9 a 12 de outubro, reúne produtores, investidores e decisores à volta de duas verdades simultâneas: há capital novo a entrar no ecossistema africano, e ao mesmo tempo os canais de compra e distribuição estão a encolher, tornando mais difícil transformar esse capital em negócios concretos.
Fluxo de capital: equity e cheques mais altos
O panorama financeiro para produções africanas está a mudar. Fundos e investidores domésticos como o Next Narrative Africa Fund, CANEX Creations Inc. e firmas de capital privado como MBO Capital e Volition Capital têm-se mostrado activos, oferecendo várias formas de financiamento.
Gestores de mercado reportam valores por projeto que variam tipicamente entre $100.000 e $3 milhões, uma margem que está a tornar o cinema numa opção de investimento mais visível para players institucionais e privados.
“Neste momento, o cinema é visto como uma classe de investimento credível,” disse Steven Markovitz, CEO da Big World Cinema, sobre a entrada de equity no mercado africano.
Distribuição em retração e respostas do sector
O aumento do capital esbarra numa diminuição dos compradores: depois de consolidações globais, plataformas como Prime Video, Netflix e Canal+ reduziram ou redefiniram a sua aposta no mercado africano, o que tem contraído a procura por direitos de venda.
Como resposta, produtores e empreendedores locais estão a explorar alternativas: plataformas regionais tentam novas vias de monetização, políticas públicas estão a ser repensadas e iniciativas como o African Producers Accelerator procuram tornar projetos mais “market-ready”.
O que acha? Acha que o novo financiamento vai conseguir compensar a falta de compradores? Para acompanhar mais, aceda à nossa editoria.
Perguntas Frequentes
O que é o Durban FilmMart e quando acontece esta edição?
O Durban FilmMart é um mercado e fórum da indústria cinematográfica africana; a 17.ª edição realiza-se em Durban, África do Sul, de 9 a 12 de outubro. O evento serve de plataforma para encontros entre produtores, investidores e programadores, concentrando debates sobre financiamento, distribuição e co-produção ao longo de quatro dias.
Que mudança no financiamento está a marcar o setor, segundo a agenda do Durban FilmMart?
O financiamento do cinema africano está a diversificar, com instrumentos locais e investidores institucionais a emergir; sinais do sector indicam cheques que vão de $100.000 até $3 milhões por projeto. Programas como o African Film Investor Roundtable e fundos de equity estão a canalizar capital para produções comerciais.
Quais os principais obstáculos para transformar esse capital em vendas?
O principal obstáculo é a redução do número de compradores internacionais, causada por consolidações e reajustes estratégicos; plataformas como Netflix, Prime Video e Canal+ reduziram a presença local, o que contrái a procura e torna mais díficil garantir receitas que justifiquem o investimento.
Que soluções estão a ser discutidas para responder à contracção da distribuição?
Entre soluções em destaque no Durban FilmMart estão a preparação de projetos “market-ready” via iniciativas como o African Producers Accelerator, a procura de modelos de monetização regional para plataformas locais e maior alinhamento entre políticas públicas e incentivos para atrair compradores e coproductores.
Que exemplos recentes de reconhecimento internacional ilustram a ascensão do cinema africano?
O cinema africano tem ganhado espaço em palcos de topo: Marie‑Clémentine Dusabejambo venceu a Caméra d’Or em Cannes com “Ben’Imana”, e filmes como “Clarissa” (realizado por Arie e Chuko Esiri) chegaram a festivais com elencos como Sophie Okonedo, David Oyelowo e Ayo Edebiri, refletindo a crescente visibilidade internacional.
Mariana Sousa