Big Little Things — o novo filme dos realizadores-produtores Michelle Zhou e Chun Yu transforma uma rutura familiar real ocorrida durante um Ano Novo em Harbin, no auge da pandemia, numa narrativa sobre saída do armário que acabou por ser convidada para a secção Venice Horizons após uma decisão de programação complicada.
- Flash resumo: Filme inspirado em eventos reais em Harbin; foi expandido de curta para longa; o pai real da história interpreta o papel do progenitor.
Da vida real ao ecrã: como nasceu o argumento
O ponto de partida de Big Little Things foi uma crise pessoal vivida pelas autoras quando começaram a namorar há quatro anos e meio. A rutura familiar deu-se durante um período de festas de Ano Novo em Harbin, num contexto de confinamento relacionado com a COVID-19.
As autoras transformaram essa experiência num filme que explora a pressão heteronormativa no seio familiar e a prática das chamadas "lavender marriages" — arranjos fingidos para satisfazer expectativas sociais — ao inserir uma figura de falso namorado como mecanismo dramático.
"Estive num caos familiar profundo. Era totalmente escuro, não conseguia fazer nada," confidencia Chun Yu sobre o período que inspirou a obra.
Produção, casting e futuro dos realizadores
A equipa decidiu ampliar uma curta homónima para longa, procurando iluminar o stress de minorias dentro do ambiente familiar. Notavelmente, o papel do pai foi interpretado por Hai, o próprio progenitor que serviu de inspiração para a história, presença que trouxe emoção e veracidade às cenas.
Durante as filmagens, Hai chegou a chorar numa leitura de mesa: "Vocês não compreendem o sentimento de um pai a perder a filha", relatou Yu ao explicar a intensidade da cena. Enquanto isso, Zhou prepara Another Stranger, inspirado numa experiência de confinamento na Tailândia entre janeiro e abril de 2020, e Yu desenvolve uma estreia sobre a diáspora chinesa ambientada em Los Angeles e numa vila europeia, em busca de co-produtores americanos e europeus.
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Perguntas Frequentes
Por que motivo Big Little Things foi adaptado a partir de uma história pessoal das realizadoras?
Big Little Things nasce da experiência pessoal de Michelle Zhou e Chun Yu; a história teve origem numa rutura familiar que ocorreu quando as duas começaram a namorar há quatro anos e meio. A vivência durante o Ano Novo em Harbin, em plena pandemia de COVID-19, foi usada como eixo dramático para abordar pressão familiar e segredo.
Onde e quando decorre a acção de Big Little Things?
Big Little Things tem lugar em Harbin, no nordeste da China, e a narrativa centra-se numa crise que surgiu durante um feriado de Ano Novo no contexto da COVID-19. Esse ambiente gelado e culturalmente conservador serve de cenário para as tensões entre expectativas familiares e identidade pessoal.
Quem dirigiu e produziu Big Little Things e como evoluiu o projecto?
Michelle Zhou e Chun Yu assinam a realização e produção de Big Little Things; o projecto começou como uma curta-metragem e foi expandido para longa com o objectivo de aprofundar temas de família e heteronormatividade. A dupla mantém colaboração contínua, com novos projectos anunciados por ambos.
Como surgiu o casting do pai e qual foi o impacto na rodagem?
O papel do pai em Big Little Things foi interpretado por Hai, o pai real que inspirou a história, convidado a participar após já ter surgido na curta. A sua presença provocou reações emotivas no set; durante uma leitura de mesa, Hai chorou ao afirmar a dor de "perder a filha", intensificando a autenticidade dramática.
Quais são os próximos projectos anunciados por Zhou e Yu após Big Little Things?
Após Big Little Things, Michelle Zhou tem em preparação Another Stranger, uma comédia dramática familiar baseada numa experiência de confinamento na Tailândia entre janeiro e abril de 2020. Chun Yu trabalha num primeiro longa sobre a diáspora chinesa, situado em Los Angeles e numa vila europeia, actualmente a procurar produtores internacionais.
Miguel Andrade